Escolher um forno elétrico para cerâmica pode parecer complicado, sobretudo para quem está a iniciar-se ou está a aumentar a sua capacidade de produção. Há muitas opções de volume, potência, temperatura máxima e configuração elétrica, mas a escolha pode ser simplificada se analisarmos três fatores principais: o que pretende cozer, a instalação elétrica disponível e o orçamento.

Na Loja do Mestre Brás ajudamos frequentemente clientes a encontrar o forno mais adequado ao seu trabalho. Este guia resume os principais pontos que deve considerar antes de decidir.

 

1. O que pretende cozer e que capacidade precisa?

A primeira pergunta não deve ser “quantos litros deve ter o forno?”, mas sim:

Que peças pretende produzir, qual o seu tamanho e quantas pretende cozer de cada vez?

São estas respostas que permitem determinar não só a capacidade necessária, mas também o formato mais adequado da câmara do forno.

 

Comece pelas maiores peças

Se produz peças altas, largas ou com formatos específicos, as dimensões interiores do forno podem condicionar imediatamente a escolha.

Por isso, antes de comparar modelos, procure definir:

  • altura máxima das peças
  • largura ou diâmetro máximo
  • quantidade média de peças por fornada
  • quantidade que prevê produzir por semana
  • forma como normalmente pretende distribuir as peças no forno.

Uma peça com 45 cm de altura, por exemplo, não necessita apenas de um forno com mais de 45 cm de altura interior: é necessário considerar também as placas, os apoios e uma margem adequada para a distribuição da carga.

 

Os "litros" não contam toda a história

A capacidade dos fornos é normalmente indicada em litros, mas dois fornos com o mesmo volume podem ter utilizações bastante diferentes. Um forno mais alto e estreito pode ser adequado para determinadas peças, enquanto um forno mais largo e baixo pode permitir aproveitar melhor cada nível de enforna.

Por isso, além do volume total, deve comparar:

  • largura ou diâmetro interior
  • altura útil
  • dimensão das placas de enforna
  • número de níveis que é possível criar, considerando
  • o formato habitual das suas peças

Uma das melhores formas de escolher é imaginar uma fornada típica e perceber quantas peças cabem efetivamente no forno.

Nesta fase, poder ver fornos ao vivo é uma ajuda preciosa para ter noção de facto da capacidade do forno.

 

Um forno maior nem sempre é melhor

Existe alguma tendência para escolher o maior forno possível dentro do orçamento, mas isso nem sempre é vantajoso.

Se o forno for demasiado grande relativamente à produção habitual, poderá ter de esperar vários dias até reunir peças suficientes para justificar uma fornada. Imagine que trabalha com argilase vidrados de diferentes temperaturas: pode levar a ter de esperar muito tempo até poder "encher" o forno.

Um forno mais ajustado à produção pode permitir trabalhar com maior frequência e flexibilidade.

Por outro lado, um forno demasiado pequeno pode obrigar a fazer muitas fornadas e tornar-se rapidamente uma limitação à produção.

O objetivo é encontrar um equilíbrio entre:

dimensão das peças + quantidade por fornada (e tipo de cozedura) + frequência de produção.

Pense também no tempo entre fornadas

Uma fornada não termina quando acaba o programa de cozedura. O forno precisa de arrefecer suficientemente antes de poder ser aberto, descarregado e novamente utilizado. Frequentemente o tempo de arrefecimento é maior que o de aquecimento.

Por isso, a capacidade necessária deve também ser relacionada com o ritmo de produção.

Para um pequeno atelier que produz poucas peças por semana, um forno de menor capacidade pode ser suficiente. Para uma produção regular, pode ser preferível aumentar a capacidade para reduzir o número de ciclos necessários.

 

2. Que temperatura precisa?

A temperatura máxima de trabalho é um dos critérios mais importantes.

De forma simplificada:

Faiança e baixa temperatura: Muitas pastas e vidrados de faiança trabalham confortavelmente até cerca de 1050–1100°C.

Grés: As pastas de grés podem necessitar de temperaturas aproximadamente entre 1150°C e 1280°C, dependendo da composição da argila e do vidrado.

Porcelana e determinadas pastas técnicas: Podem exigir temperaturas ainda mais elevadas, próximas dos 1280–1320°C.

O mais importante é verificar sempre a ficha técnica da pasta cerâmica e do vidrado utilizados.

 

Não escolha apenas pela temperatura máxima anunciada

Se pretende trabalhar regularmente a 1250°C ou 1280°C, deve optar por um forno concebido para trabalhar confortavelmente nessa gama de temperatura.

Trabalhar continuamente muito próximo da temperatura máxima nominal aumenta o esforço térmico sobre resistências, isolamento e outros componentes.

É preferível alguma margem entre a temperatura habitual de utilização e a temperatura máxima do equipamento.

 

3. Verifique primeiro a instalação elétrica

Este é um dos pontos que mais condiciona a escolha.

Os fornos elétricos têm potências relativamente elevadas e devem dispor de uma alimentação elétrica adequada.

Antes da compra deve confirmar:

  • se a instalação no local é monofásica ou trifásica (só pode ser de um tipo e normalmente é muito complexo alterar)
  • potência contratada disponível (na dúvida pode ligar ao seu operador de eletricidade e perguntar, ou para a E-REDES)
  • potência que pode ser dedicada ao forno (recomendamos que o forno não seja superiro a 80% da potência total disponível)
  • secção dos cabos
  • proteções elétricas
  • tomada ou ligação necessária.

Caso não esteja à vontade para esses temas, será ideal consultar alguém com esses conhecimento ou um eletricista profissional.


Monofásico ou trifásico: qual é melhor?

Esta pergunta é a das mais perguntadas e maior origem de mitos da cerâmica :)

Do ponto de vista da qualidade da cozedura, não existe qualquer diferença em escolher monofásico ou trifásico.

A diferença está essencialmente na forma como a potência é fornecida pela instalação elétrica.

Um forno trifásico pode ser mais adequado para potências elevadas, porque distribui a carga pelas três fases. Mas, se a instalação disponível for monofásica e tiver potência suficiente, um forno monofásico pode funcionar perfeitamente.

A escolha deve ser feita em função da instalação disponível.

A preparação da alimentação elétrica deve ser realizada por um eletricista qualificado, de acordo com as características do equipamento.

 

4. Orçamento: considere o forno e os acessórios de enforna

O orçamento é concerteza um dos grandes fatores que podem determinar a escolha do forno.

Mas o investimento não termina no forno. Para utilizar corretamente um forno de cerâmica são normalmente necessários acessórios de enforna, nomeadamente:

  • placas refratárias e prumos ("pilares" que fazem a altura entre as placas)
  • gazetes (para azulejos) e trempes (para pratos)
  • eventualmente proteções ou acessórios específicos.

O número de placas e prumos necessários depende do tipo de peças produzidas e do número de níveis que pretende criar dentro do forno.

Ao comparar soluções, deve portanto considerar o investimento total:

forno + acessórios de enforna + transporte/instalação + eventual adaptação elétrica.

 

5. E o consumo de energia?

A potência indicada no forno corresponde à potência máxima que o equipamento pode solicitar quando as resistências estão ligadas.

Isso não significa que o forno consuma continuamente essa potência durante toda a cozedura.

À medida que o forno se aproxima da temperatura programada, o controlador passa a ligar e desligar as resistências para manter a curva definida. Vai estar mais tempo ligado quanto mais alta a temperatura - o consumo será tanto maior quanto mais temperatura tiver, e o tempo que está a essa temperatura.

O consumo real depende de vários fatores:

  • temperatura máxima
  • duração do ciclo e velocidade de subida
  • peso dentro do forno = quantidade de material a cozer + peso do material de enforna (placas, prumos, etc)
  • temperatura ambiente
  • isolamento do forno

Por esse motivo, comparar apenas a potência nominal de dois fornos pode ser enganador.

Nota: Do ponto de vista do consumo total elétrico da cozedura, o ideal é a curva ser o mais rápido possível dentro da uniformidade e qualidade necessária. Há muito de experimentação e aprendizagem.

 

6. Entrega, instalação e formação

Os fornos podem ser enviados por transportadora, devidamente acondicionados em palete.

Neste caso, a descarga é normalmente realizada ao nível da rua, devendo o cliente assegurar previamente as condições necessárias para colocar o equipamento no local definitivo.

Existe também a possibilidade de entrega por técnico BTHERM, podendo ser incluída uma formação inicial de utilização, normalmente de 1 a 2 horas.

Nesta formação são normalmente abordados:

  • funcionamento do controlador
  • criação e seleção de programas
  • boas práticas de enforna
  • cuidados com resistências
  • utilização das placas e prumos
  • abertura e arrefecimento do forno
  • principais cuidados de segurança.


Formações mais extensas ou trabalhos específicos de instalação podem ser orçamentados separadamente.

A alimentação elétrica adequada ao forno deverá estar previamente preparada por um eletricista qualificado.

 

7. Que manutenção necessita um forno elétrico?

Os fornos elétricos para cerâmica necessitam de relativamente pouca manutenção, mas alguns cuidados prolongam significativamente a sua vida útil.

Convém verificar periodicamente:

  • estado e posição das resistências
  • aperto e funcionamento da porta ou tampa
  • estado do isolamento
  • termopar
  • cabos e ligações elétricas
  • estado das placas de enforna.

As resistências são peças de desgaste.

A sua duração depende especialmente da temperatura de utilização, número de ciclos, tempo passado a alta temperatura, atmosfera dentro do forno e utilização correta do equipamento.

Quando uma resistência começa a perder capacidade, pode notar-se um aumento significativo do tempo necessário para atingir a temperatura ou dificuldade em alcançar a temperatura final.

 

8. Algumas boas práticas fazem uma grande diferença


A utilização correta do forno é tão importante como a escolha inicial.

Entre as regras mais importantes estão:

  • garantir que as peças estão suficientemente secas
  • evitar aquecimentos demasiado rápidos quando existe humidade
  • respeitar as temperaturas recomendadas das pastas e vidrados
  • evitar contaminação das resistências
  • não encostar peças ou placas às resistências
  • manter uma distribuição equilibrada da carga
  • evitar abrir o forno a temperaturas elevadas
  • utilizar corretamente os sistemas de ventilação do forno.

Pode consultar também o nosso guia de boas práticas de utilização do forno, onde explicamos estes pontos com maior detalhe.

 

Então, qual é o forno certo para mim?

Na maioria dos casos conseguimos reduzir rapidamente as opções se soubermos cinco informações:

  • Que tipo de cerâmica pretende produzir?
  • Qual é a maior peça que pretende cozer?
  • Que quantidade pretende produzir por semana?
  • Qual é a temperatura máxima de trabalho?
  • Que instalação elétrica tem disponível?

Com estas informações conseguimos normalmente indicar os modelos mais adequados e explicar as diferenças entre eles.

Na Loja do Mestre Brás comercializamos fornos elétricos BTHERM e podemos ajudar na escolha do equipamento, acessórios de enforna, instalação e utilização.

Tem dúvidas sobre qual o forno adequado?

Envie-nos as dimensões das peças que pretende produzir, temperatura de cozedura, produção prevista e características da instalação elétrica. Ajudamos a comparar as opções.